

Justiça torna 12 réus por acidente de voo que saiu de Cascavel
A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 12 pessoas pelo acidente da Voepass que matou 62 pessoas após a decolagem de Cascavel, em agosto de 2024. O MPF aponta suspeitas de falhas de manutenção, omissão de problemas técnicos e prioridade à redução de custos.
A decisão envolve o voo 2283, que saiu de Cascavel com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) e caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior paulista. As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — morreram.
Entre os réus estão o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, diretores, gerentes e funcionários ligados à operação, à manutenção e à segurança operacional da companhia na época do acidente. Eles respondem por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo e ao sinistro aéreo.
Segundo o Ministério Público Federal, havia práticas internas voltadas à redução de despesas e à continuidade das operações mesmo diante de possíveis riscos. A denúncia cita registros de manutenção considerados falsos, reparos precários, peças sem rastreabilidade e pressão para que problemas não fossem anotados nos livros de ocorrência.
Outro ponto da acusação envolve o sistema de degelo do ATR 72-500. Conforme o MPF, a empresa sabia que o modelo não tinha certificação ou homologação do fabricante para condições críticas de gelo, mas a aeronave foi escalada para o voo quando havia alertas de gelo severo na rota entre Cascavel e Guarulhos.
A Voepass afirmou que continuará colaborando com a Justiça Federal e com as demais autoridades. A defesa de José Luiz Felício Filho informou que se manifestará no processo no momento adequado e exercerá as garantias do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
Fonte: Gazeta do Paraná
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